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Este trabalho busca, através do estudo de documentos jurídicos do período Colonial, compreender o processo de banalizaçăo da violęncia contra a mulher. Analisamos os discursos construídos pelo Estado e a Igreja no sentido de construir modelos de masculinidade/feminilidade que se tornaram privilegiados neste período. As relaçőes estabelecidas entre homens e mulheres, traduzidas como relaçőes de poder dentro de uma sociedade escravista e patriarcal em que as categorias etnia, classe e gęnero se entrecruzam criando uma rede de relaçőes complexas. A análise qualitativa dos processos possibilitou uma aproximaçăo do cotidiano de homens e mulheres envolvidos em crimes e que se encontravam imersos em uma realidade cujas práticas estavam sujeitas ao discurso jurídico e que teve como consequęncia a brutal hierarquizaçăo das relaçőes de gęnero em um nível de dependęncia e submissăo femininas que definiu um modelo de feminilidade, mas năo impediu que diversas mulheres rompessem com esta lógica, subvertendo a ordem e pondo em xeque os privilégios do patriarcado.
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